o que deixei guardado no porão .

Me disseram que eu deveria ser anjo.
E eu fui.
Guardei em alguma gaveta, nos depósitos da minha subjetividade, a chave do porão onde tranquei as feras que devoram o meu juízo.
Mas, eles arrombaram a porta, arrombaram… Ultrapassaram os limites invisíveis que criei para me defender de meus próprios demônios, bagunçaram o Olimpo que eu construí dentro de mim, destruíram a pureza do anjo transformando-a numa deusa imperfeita, violenta, com olhos de raiva, cabelos de Medusa e cheia de desejos.
Mas, já falaram uma vez que somos essencialmente desejo. E, talvez, realmente sejamos…
Pena que a nossa essência seja feita apenas desse desejo, e não da felicidade que se encontra na concretização deles.
Pena esse deusa só seja real em minha mente – ou em qualquer lugar onde eu não possa ver o reflexo de tudo o que deixei pra trás e eu tenha a coragem de ser quem eu me tornei.

Foto retirada de: Show Slow

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