adeus, meu sertão…

Todos foram embora. Todos.

Só restou o cinza do sertão e as casas abandonadas,

amaldiçoadas pelo tempo e pelo sol.

Nem Esperança ficou mais.

Foi embora também, 

dizendo que de nada serviu dança na chuva, ou clamores em prantos e em pratos vazios.

E eu digo:

– De nada serviu morrer de fome ou de sede, ou de sol na cabeça com o trabalho na enxada pra arar a terra que sumia!

Tô indo embora também porque não fui forjado com ferro e nem tenho coração de pedra pra suportar viver com fantasmas.

Tô indo embora, Mané, porque nunca gostei muito desse cinza e dessa espera pela chuva que nunca vem – nem com as nuvens pesadas, nem com essa ventania louca que assombra a paisagem desértica todo fim de tarde.

Tô indo embora, mas quero voltar…

E quando eu voltar quero trazer comigo as boiadas que sumiram,

e também as pessoas que se foram,

e com elas, a Esperança que abandonou nossos corações.

Pra gente poder tocar berrante com gosto, Mané, enquanto o gado se espalha por essa imensidão do pasto.

 

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