(des)construção

Pedra por pedra,

pele por pele,

sangue substituindo o cimento,

e você me amontoou.

Construção torta,

que olhando de lado,

de um ângulo avesso,

até era de se agradar.

Pena que legos enjoam,

meus afagos já não preenchiam todos os buracos

que te amontoavam,

e nem meus suspiros, nem meus sussurros

te convenciam

que justo mesmo era você continuar

a montar

e desmontar

minhas peças.

Construção sem proprietário.

Vazia,

vazava,

extravasava

toda a poção de desencanto que se fez mistura aqui dentro…

Pedra por pedra

fui retirando;

a pele foi caindo,

eu fui me reencontrando,

vendo meu sangue

vermelho, rubro, brilhoso…!

Que me mostrava que eu não era material,

eu era matéria viva.

As feridas descamavam

de pouquinho em pouquinho,

doía.

O meu coração sangrava,

gritava

a cada vez que eu cavava

o buraco

em que esconderam

minha’lma.

Encontrei-a cheia de feridas,

hematomas,

incurável,

mas era bonita.

Me vesti com ela.

Me olhei no espelho.

No meio do silêncio

gritei.

Gritei.

Gritei.

Me humanizei.

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