Dorian Gray

Fixo.
Me encarando.
A pintura que aprisiona.
Os olhos vivos, a alma morta
e acorrentada
num contrato com o tempo.
O corpo livre
para todo o bem,
para todo o mal.
O retrato sujo,
sujo,
sem esconder o que seis olhos pueris não mostravam.
Sua pele, sua voz,
doce, suave
como a canção dos pássaros,
desafiavam a física dos homens
e de Deus.
Suas ações insolentes,
torpes,
violentas,
hereges,
humanas,
agradavam ao diabo.
Certa feita, o encontrei, e vi que lendas viviam.
Ele me sussurrou que a eternidade era frígida
e que ele também
já tinha perdido
o tesão
por viver
histórias repetidas.
Já não tinha medo da morte
nem do demônio
preso ao quadro exposto na sala.
Já não tinha medo
do fim que o aguardava.
Apenas me disse:
“Do pó viemos, ao pó retornaremos.”,
e sumiu entre as chamas
que ardiam
fazendo a tinta que preenchia a obra de arte
derreter.

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