espelhos d’alma

Me desfiguro, me transcendo diante do espelho
Me reparo e aparo
minhas unhas, meus cabelos
tingidos
num tom estupefato.
No ritmo das cores, pinto
todo o horizonte invisível
que se faz concreto diante de mim.
Num ato ousado,
desafiei o espelho a me responder:
“Espelho, espelho meu,
o que aconteceu, para que eu me afogasse
em tantas mudanças?”
Não encontrei resposta em seu silêncio,
e em nenhuma das fotografias
que flutuavam pela sua superfície.
Caminhando, com as vestes molhadas,
frustrada, assim como você,
por terra eu vou
sem o peso das decisões suicidas,
sem o tremor que tem as mãos dos que arrancam uma alma,
sem o medo…
Porque, por dentro, tudo se fez oco.
Confesso com certa angústia,
que me senti traída por aquele espelho imenso…
De tudo o que busquei em sua instabilidade,
só encontrei um abismo
entre suas jangadas e garrafas perdidas
(tão cheias de questionamentos quanto eu).

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