07 de julho de um ano qualquer, de um lugar qualquer.

Caro Gutierrez,

aqui é madrugada. Toda e qualquer voz humana se calou. Ouço apenas os ecos que ficam rondando minha mente, e as cigarras que cantarolam noite à fora, para alegrar ou entristecer – depende do estado de espírito.

Temo em lhe dizer que não sei como se encontra o meu.

Hoje, um ciclo se encerrou, e mais um teve início para mim. Estranho essa ideia de ciclo, tempo… Que me devora, me consome, me faz ter rugas e nervuras, e momentaneamente, vontade de quebrar espelhos e algumas caras, mas me consigo controlar meus  impulsos. É isso que chamam de crescer?

Já não sei, e acho que tenho muita pouca vontade de descobrir. Males da idade, meu bem…! Percebe-se que as certezas não são tão saborosas quanto as dúvidas. Percebe-se que o tempo não é tão bondoso quanto parece, vestido em sua imensidão de invisibilidade.

Meu querido Gutierrez, nessa última estação, eu vi pessoas chegarem em minha vida, e saírem – você foi uma delas -, deixando em mim marcas que nunca sairão, como cicatrizes, ou sem deixar nenhum rastro de sua presença – aquelas que passaram por mim como um sopro.

O que eu quero dizer, meu amigo, é que essa tal vida não para, e nem haverá de parar para nós, humanos, que gastamos cada grão de areia do tempo, observando-o passar – um passatempo nada interessante, devo admitir.

Não gosto de pôr expectativas nas coisas, você bem sabe, sempre acabo me frustrando. Mas, não posso deixar de assumir que espero que três coisas se concretizem para mim nesse novo estágio: fé, saúde e sorte, porque mesmo sem acreditar em sua funcionalidade, é importante se ter um plano B.

Esperava que você pudesse estar comigo agora, me ouvindo, e não visualizando minhas palavras e imaginando a minha voz de pano de fundo. Coisa engraçada a vida, não acha? Estamos, mais uma vez, distante, e mais distantes do que nunca estivemos. Me entende?

Almejo te encontrar mais uma vez. Sei que é inconveniente, mas constantemente, sinto sua falta. Não podemos contar com o tempo para isso, desde nosso primeiro encontro ele não colabora conosco, também não podemos contar com esse sentimento esvaído que mantém viva essa minha ligação imortal com você.

Ainda aguardo resposta para as minhas cartas anteriores e à essa, que, um dia, há de te abraçar.

Carinhosamente,

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