hipnose

porque querer unir o que
é partido?
unir
pe-da-ços
tão desesperados
pelo calor de uma boca morta.

é preciso saber que a vida
não foi feita
para os encontros
as cirandas que brincamos são apenas
cabra cegas cheias de encanto e de
fragilidade
e se quebram
ao primeiro estalar
de dedos.

[…]

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penteadeira

Coisa bonita ver você
rir, enquanto
me descabelo
pra arrumar meus
cachos
em seus beijos.

piromaníaca

A tua proximidade me parece distante.
Enlouqueço.
Queria aprender a ser longe também,
mas machuca ser o que não sou.

Gosto mesmo é do quente,
de meus peitos te tirando o ar.
Gosto mesmo é do quente,
das marcas dos teus dentes no meio de mim.
Eu gosto do quente,
e queimo os meus pés em meio a dor
só pra te ver sorrir.

aula de química

Há 365 dias te faço de amuleto.
[digo como se fizesse algum sentido tal afirmação]
A verdade é que ninguém, nunca, possui outrem,
nada acorrenta os corações pulsantes…
As coisas é que naturalmente se misturam…
Em meio a solidão
as almas que se dissolvem.

nota de fim

Morreu.
Morreu de morte morrida,
como acontece com as flores e com os carmas.
Morreu
porque tudo morre, tudo seca
com o sol.
Morreu
dentro e fora de mim,
e foi velado pelo sereno
da madrugada.
Morreu
e deixou refletir todo o pôr do sol
no escorrer dos seus dedos.

construção

A cada instante me afogo no mar
da certeza de que…
Mas ainda insisto em percorrer na firmeza das terras
da incredulidade.
É difícil aceitar
quando
o certo vira real e é possível
abraçar o que era sonho.

Ninguém me beliscou!!!
(e nem faço questão de lembrar o sabor
que tem a dor…)

Mas, me lembro – todo santo dia! –
que carrego a missão de fazer
com que, cada beijo,
seja mais um passo
para o concreto.

marionete

Meus dedos atiçados
na cama de gato dos seus cachos.
Meus dedos perdidos…
Porque amor também é labirinto.
Sem fios para nos mostrar a saída,
sem monstros para nos devorar…
Só com a possibilidade de nunca,
nunca se encontrar
em meio a tantos fios
ocos
que te sustentam.