mania de artista

a gente fez

semana passada no carro

uma obra de arte.

pintamos o teto de branco

e o carpete de vermelho

sangue

dos meus lábios cheios

de marcas e de batom.

A gente fez

na sacristia,

na morada sagrada,

fizemos o profano

e gritamos que éramos

jovens e livres

em nome do amor.

Fizemos maremoto no navio,

e terremoto nos covis que juramos manter em segredo;

descobrimos Atlântida e pintamos seus caminhos

com as cores do impossível…

Nos rebelamos contra os chicotes

que nos açoitavam e diziam que erámos pequenos.

Não somos.

Somos grandes, grandes como nossos sonhos

e como nossas almas,

até então presas nas garras dos dramas que inventamos

(retirados de qualquer livro de banca de jornal).

Descobrimos a grandeza,

descobrimos o amor,

descobrimos

a profundidade um

do outro

dentro

um do outro.

Entramos

e saímos

e erramos

e acertamos

e fizemos

semana passada

no carro ou na sacristia

uma obra de arte

que deixou sua marca em

nós,

que deixou rastros nos

outros.

Outros

que não sabiam

o que era o amor,

e agora sabem

que ele não passa de uma obra de arte.