eutanásia .

Nem uma das receitas que me ensinaram são úteis, ainda insisto em te rodear como um corvo faminto; nem um daqueles feitiços que aprendi em livros esotéricos que compro nas farmácias toda semana fizeram efeito, três meses se passaram e você ainda não voltou para mim; semana passada, a mulher que leu a minha mão na rodoviária garantiu que você voltará, mas disse que, enquanto isso, é melhor eu ir vivendo a minha vida, beijando outras bocas, pondo outras pernas entre as minhas, compartilhando novos lençóis, porque o futuro é cheio de pudores e, por não gostar de ser observado, cheio de inconstâncias. Meu analista pediu pra jogar fora suas fotografias e suas cartas rasuradas, eu o fiz. Mas, de que adianta? Você ainda está preso em meus sonhos e me faz acordar todas as noites por causa de pesadelos de amor. Nós ainda estamos ligados. Carma. En. Tubo. Ou qualquer coisa que se for rompida, também me desligará.

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“Um en é uma ligação cármica que dura

“Um en é uma ligação cármica que dura uma vida inteira. (…). Ninguém podia me dizer se ele era o meu destino definitivo; mas eu sempre sentira o en entre nós.” 

– Memórias de uma Gueixa

Só depois de ler isso que eu pude entender o que nos unia, e também entendi que não pode ser rompido – apesar de muita gente acreditar em escolhas, eu ainda acredito que não é possível fugir de nosso destino. De alguma forma, as nossas vidas, com metas tão diferentes ,estavam cruzadas; de alguma forma, suas digitais – tão distintas – manchavam todo o meu corpo e toda minh’alma.

E o que eu poderia fazer? Nadar contra a correnteza acaba nos cansando, mesmo que tenhamos a ilusória sensação de que somos invencíveis e que estamos perto de conseguir o que queremos. Mais fácil mesmo é aceitar o meu destino – seja ele qual for! – e não cruzar os braços, mas fechar os olhos em oração pedindo para que você não seja o meu.