espelho vitoriano, 50x70cm, preço a negociar.

Espelho, espelho,
reflete em mim a tristeza que tu escondes detrás de cada brilho
do infinito.

Espelho, me explica, que bicho constante te habita?
Quê que te entardace, que chega dá dó?
Que tem cavas fundas, olheiras…?

Espelho, espelho,
olhe bem pra quem tu serve de morada,
de servo.

Chegue perto. Veja a nudez dele
e os seus segredos.
O jeito que ele sorri quando prende a alma
em ti.

Espelho, tu ainda é bastante ingênuo,
cheio de trejeitos infantis
e tem um gosto de gelo que faz minha língua
dobrar.

No meio de tudo isso,
o teu único pecado, Espelho, é a fragilidade
de nos prender a sete anos de azar.  

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espelhos d’alma

Me desfiguro, me transcendo diante do espelho
Me reparo e aparo
minhas unhas, meus cabelos
tingidos
num tom estupefato.
No ritmo das cores, pinto
todo o horizonte invisível
que se faz concreto diante de mim.
Num ato ousado,
desafiei o espelho a me responder:
“Espelho, espelho meu,
o que aconteceu, para que eu me afogasse
em tantas mudanças?”
Não encontrei resposta em seu silêncio,
e em nenhuma das fotografias
que flutuavam pela sua superfície.
Caminhando, com as vestes molhadas,
frustrada, assim como você,
por terra eu vou
sem o peso das decisões suicidas,
sem o tremor que tem as mãos dos que arrancam uma alma,
sem o medo…
Porque, por dentro, tudo se fez oco.
Confesso com certa angústia,
que me senti traída por aquele espelho imenso…
De tudo o que busquei em sua instabilidade,
só encontrei um abismo
entre suas jangadas e garrafas perdidas
(tão cheias de questionamentos quanto eu).