O dia está tão frio quanto o meu coração.

Nem café, nem cigarros, nem novo amor, podem derreter essas geleiras nas quais eu me congelei morta, com os olhos espantados e os lábios rachados.

Permaneci aqui, nesse mesmo cais, a te esperar, pois você me jurou que voltaria em seu navio de guerra. Mas, o tempo passou e a sombra de seu navio nunca se formou nesse nevoeiro infindo.

Tanta coisa já mudou por aqui… A cidade, o céu, até sua irmã se casou e teve filhos, menos eu. Permaneço intacta, imóvel, com aquele mesmo vestido azul-celeste que você tanto gostava, ainda com esperança de que o balanço do mar te traga de volta para mim, para que eu possa ver o seu sorriso cheio de paz.

O tempo sempre muda e, às vezes, me acompanha, como hoje. Eu não.  Tive que fazer da minha vida um terreno que sempre tem o tempo fechado, que sempre chove tristeza e faz aquele frio de solidão; meus olhos de velha, são tristes, e o meu coração de jovem foi congelado para que esse amor fosse só teu.

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