Suicídio literário

A morte não é o fim.
A morte é a renovação de nossa alma.

Em vida, a alma se satisfaz em viver dentro da lâmpada,
aprisionada em nossa desumanidade
e só se liberta na inconsciência de nosso corpo imoral.

Em morte, a alma vive enquanto rasga a nossa carne
e se redescobre enquanto renasce das cinzas
[de nossos erros]

A morte não é o fim.
A morte é renovação de votos com a vida.

livro tal, capítulo x, versículo y.

De todos os males nascentes nem todos se fizeram ruins.
Porque há lições que só o acinzentado das horas nos dão.
Mas, as cores têm horas?
E as horas funcionam ao contrário?
A questão é que o tempo molda a vida, caro irmão,
sem usar as mãos, mas com instrumentos que desconhecemos.
Porque me disseram que Deus age misteriosamente
e eu, herege, já havia anunciado meu grande ódio pelos mistérios.
Por  isso a vida me desafia a cada milésimo que ando e me arrisco a respirar…
Não que eu fique ansiando a chegada da morte,
mas confesso que chego a roer as unhas
ao montar teorias num profundo desespero  em entender os mistérios divinos
[Deus que me perdoe!!!].
E enquanto rezo, numa súplica desse perdão
por tentar ver mais do que uma mortal
poderia ir,
lá dentro, a semente do fruto proibido, já havia apagado
qualquer vestígio  de luz
que estava aceso em mim.

assassina da rua seguinte

Te matei num sonho preto e branco
que tive há dois dias.
Da mesma forma como você arranca o meu coração
e enche as minhas tripas de nós górdios
por raiva, por ânsia,
por sede ou pela mais pura vontade de te matar de verdade.
Te mataria por toda essa agonia que
vez ou outra se faz maior que o amor.
Te mataria para devorar suas tripas
e engolir o seu coração
só para te ter, verdadeiramente, dentro de mim.
Te mataria sim, mas, cheia de fraqueza nas pernas, eu vou,
nas mãos, no coração que para de pulsar
quando pensa em não ter você no físico
e dentro da’lma que já foi minha, mas agora já não sabe
em que lugar se perdeu.

(risos)

Estava escuro.
Escuro.
E minha barriga tremia,
pareciam rasgar meu estômago.
Rasgavam.
Engendravam a maldade em mim,
a frieza;
moldavam um riso diferente em meu rosto.
Sorri.
Gargalhei.
Descabelada,
gritei com as sombras,
esmurrei as paredes,
acho que matei alguém
(dentro ou fora de mim).
Acho que matei alguém.
Morri.
Matei.
O silêncio se apoderou de minha morada,
e no dia seguinte,
acordei
em frente à janela do hospício.