por trás da janela do ônibus .

Somos todos pecadores perdidos no Paraíso que destruímos com nossa mania de evolução.

Se ganha, mas também se perde, perde… Se vende até a alma nesse labirinto que é constantemente construído sem qualquer tipo de amor. Lembra dele? Aquele que perdeu seu espaço para os prédios e sermões de como ser um bom cristão e ter um lugar reservado no céu. Eu perdi o meu. Semana passada quando fui cavalgar e esqueci que deveria ser uma boa menina, e não a mulher que eu vinha evitando ser.

E mesmo com tanto tempo acorrentada nessa escuridão, buscando ser quem eu não sou, todas as noites eu sinto falta de ver as estrelas e de correr descalça pela rua árida para comprar pão e chiclete.

Doce… Eu costumava gostar desse sabor, agora quase nada me agrada, só os sorrisos manipulado(re)s espalhados pelos outdoors da cidade que, de alguma forma, me confortam.

Por aqui tem muitas ruas, muita chuva, muitos prédios, mas falta gente. Gente de verdade. Porque eu só vejo mortos, vejo o tempo inteiro! Eles estão indo e vindo, completamente vazios por dentro, mas acreditam que estão vivos o suficiente para lembrar o caminho de casa.

notas de um dia marrom.

Que outubro negro se formou em minha janela!

Sem cor. Sem luz. Sem brilho. Meio neutro para a estação…

Deveria ser verão, mas chove – parece o caminhar constante de meu coração.

Deveria ser verão, mas as pessoas andam tristes – seriam apenas minhas sombras me seguindo?

Deveria ser verão, mas parece que essa chuva veio só pra mostrar que nem toda chuva de verão é passageira.