lilith foi expulsa do paraíso

Estou perdida demais por entre essas folhas
para escrever qualquer coisa sensata.
Rasguei as minhas vestes,
a forma insana que encontrei de pôr pra fora a minha histeria,
coisa que só atinge mulher.
Fiquei nua, como Eva.
Coberta de vergonha, como Eva.
Eu sou Eva. Ou quase.
Faltam-me os cabelos longos,
uma dose de maldosa ingenuidade e um Paraíso para pôr em chamas.
Em chamas como o meu corpo
que é incinerado pelo fogo da raiva como se estivesse sendo queimado
na fogueira da inquisição.
Penso que, talvez, os gritos deles estejam certos
e eu seja isso mesmo: uma bruxa que merece ser queimada,
porque Deus
poupou os homens de um bom senso de justiça.
Homens que se fazem brinquedos e fazem,
alguém dentro de mim, se desmanchar em risos
porque algo em mim se perdeu também
e já me dizem que não é bom ser o que me descobri.
Eva ou bruxa. Santa ou não.
Ser mulher nunca foi vantagem pra sair gritando.

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por trás da janela do ônibus .

Somos todos pecadores perdidos no Paraíso que destruímos com nossa mania de evolução.

Se ganha, mas também se perde, perde… Se vende até a alma nesse labirinto que é constantemente construído sem qualquer tipo de amor. Lembra dele? Aquele que perdeu seu espaço para os prédios e sermões de como ser um bom cristão e ter um lugar reservado no céu. Eu perdi o meu. Semana passada quando fui cavalgar e esqueci que deveria ser uma boa menina, e não a mulher que eu vinha evitando ser.

E mesmo com tanto tempo acorrentada nessa escuridão, buscando ser quem eu não sou, todas as noites eu sinto falta de ver as estrelas e de correr descalça pela rua árida para comprar pão e chiclete.

Doce… Eu costumava gostar desse sabor, agora quase nada me agrada, só os sorrisos manipulado(re)s espalhados pelos outdoors da cidade que, de alguma forma, me confortam.

Por aqui tem muitas ruas, muita chuva, muitos prédios, mas falta gente. Gente de verdade. Porque eu só vejo mortos, vejo o tempo inteiro! Eles estão indo e vindo, completamente vazios por dentro, mas acreditam que estão vivos o suficiente para lembrar o caminho de casa.