aula de química

Há 365 dias te faço de amuleto.
[digo como se fizesse algum sentido tal afirmação]
A verdade é que ninguém, nunca, possui outrem,
nada acorrenta os corações pulsantes…
As coisas é que naturalmente se misturam…
Em meio a solidão
as almas que se dissolvem.

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do inexplicável encanto pelo Barba Azul

A barba preencheu o vazio do rosto dele
com espinhos humanos.
Ele era assim:
todo calejado, com cicatrizes que só eu via e
só eu podia tocar porque não doía.
Dói em mim,
os constantes e vagos diálogos que ele tem com uma teia de problemas que tecemos juntos.
Dói em mim,
porque o tempo se enche de correntes e se arrasta aqui por dentro
criando cortes que parecem nunca se fecharem.
Porque não deixa essa conversa de lado, meu bem? As teias podem te esperar…
Vamos fazer o que sabemos fazer de  melhor, na cama ou fora dela,
esboçar sorrisos um no outro, sem a ajuda de esquadros.
Vamos fazer o que sabemos fazer de melhor?
Porque enquanto você conversa o tempo devora a vida
nos deixando apenas as migalhas da solidão.
Porque enquanto você conversa a angústia me devora, me desespera e despedaça
o resto de paz que eu encontrei em seus braços.

Som. Riso.

ImagemMesmo com tantas pessoas,
só aprecio a companhia do vazio.
Ele me sorri,
 pede que eu interprete Chopin.
Fico indigesta com a ideia.
Ele me acalma.
Descansa suas mãos sobre meus ombros,
(que parecem carregar o universo).
Ele se senta,
enquanto eu me atrevo a dedilhar o piano,
que parece entender meus sentimentos.
Encaro as teclas
e suas cores
de um filme dos anos 20.
Encaro o som que ecoa.
Encaro o vazio que me persegue,
e com o seu olhar incisivo,
ele apenas me sorri,
e eu…
Já não me sinto só.

 

Fonte da foto

causa mortis: solidão

Ela sempre gostou de sentir aquela dor lacerante e nunca encontrou o porquê, mas era um fato que algo nela a impedia de ficar muito tempo perto de qualquer coisa ou qualquer pessoa que lhe fizesse bem. Era sempre a mesma história… Nos relacionamentos, ela encontrava pretextos para se afastar, pretextos que, na maioria das vezes, não eram cabíveis; ele era ausente demais e ela precisava de muita atenção, ela era demasiadamente problemática e ele não tinha nenhuma obrigação de aturá-la e ser infeliz com o seu humor inconstante, ou ele poderia ser muito atencioso e ela reclamaria de tanta atenção porque aquilo a sufocava e ela acabava tornando-se desmerecedora de tanto amor em sua vida.

Muita gente dizia que ela era igual maré: de lua, e era por isso, que amá-la não era uma missão fácil; o que não quer dizer que ninguém tenha tentado, aliás, muita gente tentou! Tentou com perseverança e coragem, lapidar aquele coração bruto e arrancar daquela’lma o humilde lar da senhora tristeza. Mas, tais tentativas eram vãs e os corajosos cavaleiros acabavam cedendo aos seus constantes delírios de solidão.

Ela não era daquelas mulheres fisicamente excepcionais, mas aquela sua mente insana, desprovida de uma gotícula da essência do juízo, era extremamente sedutora. E eu até entendo que você se questione o porquê – afinal, o que há de belo na loucura?. Mas, é bem simples: a loucura nos envolve em sua teia bem tramada e nos seduz com seus enredos encantadores nos fazendo acreditar nas mais sórdidas – e absurdas! – historinhas.

A loucura é, de fato, encantadora… E ela também era. Mas morreu sozinha, sentada na varanda de um hospício, provavelmente, saturada de tanta solidão.

Fonte da foto