Terror noturno

A eternidade se prende a seis curtos minutos.
Quando o horror nos domina é assim:
o tempo passa com dureza.

Pior que a dureza do tempo, era a maciez
das mãos
que me prendiam, me agarravam.
Nada de bom pode vir de mãos fortes e macias.
Nada de bom.

Quando o horror nos domina é assim:
o belo cobre seu reflexo.

No suor matinal, tive certeza que a realidade
não fazia parte
do meu juízo perfeito.

Eu não tinha o juízo perfeito.
Quando o horror nos domina é assim…

Tenho que aprender a engolir meus medos.

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Abra-te, sésamo!

Existe uma porta que eu tenho medo.
Existe uma porta que eu não quero ouvir
o giro da maçaneta.
Existe uma porta que às cinco da manhã
desperta em mim,
e convida todos os pesadelos a pôr em banquete
o meu fígado
enquanto eu sorrio como uma pintura renascentista.
Existe uma porta que não existe,
mas que eu sempre atravesso,
com uma palavra que eu não conheço
e que, no fim,
sempre me mata.

roulette

Eu me justifico
com os argumentos mais impalpáveis que posso encontrar:
sentimentos, qualidades, seus defeitos…
Essas coisas invisíveis
que nos compõem
e sempre me perseguem
durante o balanço do dia.
Você me perguntou,
me questionou,
se seria verdade tudo o que eu te dizia.
Sim, senhor. São verdades.
São sonhos
que nascem, renascem e vão se moldando
com seus toques, com seus beijos,
com tudo o que você me diz
debaixo dos lençóis
ou em cima deles.
São verdades, senhor, feita de sonhos,
e sonhos são imortais.
Pelo menos, assim me disseram,
e eu acreditei,
de tal forma,
que apostei todas as minhas fichas
e não tive medo
quando, na mesa, os dados rolaram.

sonhos nutrem a nossa essência,

sonhos até impossíveis, mirabolantes, bobos, nos tornam mais graciosos, mais flexíveis, nos fazem pôr o mundo de cabeça pra baixo e ver que a (suposta) normalidade em que vivemos é um absurdo e nos torna, gradualmente, máquinas mortais; e nos fazem perceber que é a surrealidade de nossas eternas quimeras que nos mantém, ainda, – em algum lá dentro – humanos e firmes por aqui. Sonhos, um dia, tornam-se ideais e nunca morrem, ficam enraizados mesmo quando crescemos ou quando envelhecemos, alguns até grudam em nossa mente dia e noite, tarde e madrugada, então somos tachados de utópicos, bobos… Um sonho nunca é bobo. Nunca. Bobo é quem não acredita neles, ou quem DIZ não acreditar. Porque mentir? Se a noite, sozinho no quarto, antes de fechar os olhos, você vai sonhar… Porque apagar esses sonhos de você? E pra que todo esse meu discurso sobre sonhos se a fotografia diz tudo?

sonhos nutrem a nossa essência,

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