folia carnavalesca

Se eu não tivesse o que fazer, gastaria horas relembrando acontecimentos antigos, que se passaram há uma semana.
Se eu não tivesse inúmeras preocupações – de relés mortal que sou -, te juro, meu único pensamento seria você.
Se eu já não estivesse tão cansada, e pudesse erguer uma única pedra, construiria uma muralha em que meu coração só pra não te deixar entrar. Mas, você já entrou. Fez a festa, e ainda faz, sempre que vejo o seu sorriso e tudo aqui dentro fica meio bagunçado, estranho demais pra mim…
Se eu pudesse evitar a vontade que tenho de estar contigo a cada instante que os ponteiros do relógio insiste em percorrer incansavelmente aqueles números inconvenientes, tenha certeza, querido, de que eu não hesitaria. Mas, me sinto impotente! E essa calmaria que atracou em minha’lma já nem combina com o meu aparelho cardiovascular, que agora vive em disritmia… Alegre, em folia, ando me sentindo como se vivesse um eterno carnaval… E olhe que eu nunca gostei muito dessa festa, mas o beijo que você me deu, encheu meu coração de fantasias e fez o carnaval despertar mais cedo dentro de mim.

 

Imagem

Anúncios

achados e perdidos .

minha poesia se perdeu

em você,

em seus olhos,

nos incontáveis fios

de seus cabelos, de seus cílios…

Minha poesia se encontrou

em seus lábios,

em sua pele quase morta, quase fria,

em suas mãos procurando minhas costas

nuas.

Eu me perdi

tentando encontrar os teus afagos, 

em teus braços me rodeando,

em tuas manias

peculiares.

Em você, 

estranho, 

que me encontrou, 

perdida, 

e não mais 

quis me devolver à solidão. 

 

 

p.s.

Você, longe.

O vento corre peralta

querendo me mostrar que não.

Você, perto.

Aqui.

O olfato me prova;

e quem pode enganar os sentidos?

Você.

Aqui.

Só não posso lhe tatear,

tamborilar suas costas…

Seria sonho demais

pra minha realidade.

Você, ontem.

(risos)

Perdido

nas minhas divagações,

porque sou poesia demais 

para sua realidade. 

Eu,

se pudesse,

lhe faria mil sonetos,

mas nunca gostei muito

daquela estrutura tão coerente.

Eu?

Se pudesse?

Te contaria (mais uma vez)

o que eu sinto.

Mas, você,

longe demais,

do outro lado da rua,

num outro mundo,

escreve cartas

aos seus terapeutas mortos.

combustão .

O dia arde,
queima,
como uma fogueira que deveria aquecer.
Fim dos tempos?
O prazo já expirou e o calor continua,
o suor continua,
escorre em mim,
me faz ter pesadelos, delírios.
O calor se mantém.
O seco. O cinza. Amarelo do sol.
Sol que não me engana:
quer me destruir;
Sol que não me engana:
quer me fazer mal;
Só você me engana:
dizendo me amar,
me incendiando com esse sentimento tórrido que me incinera e me reduz à pó.

amar

ah, mar… 

me fazes lembrar de meu amor 

que prometeu levar-me à Roma 

em qualquer tarde que as estrelas tomassem conta do céu. 

Céu, seu

e o sal de sua água,

e o sol em seu suor, 

e o açúcar… 

Ah, o açúcar…!

Aquele que deveria estar em seus lábios, 

mas que não encontro em nem uma linha dessa poesia.

sobre o que se foi .

Serena é a canção que toca na vitrola.

Mas, toda essa calmaria me faz lembrar que, naquele fim de tarde de abril, pouco antes das tempestades, as nuvens também estavam calmas.

Tenho mil motivos para odiar essa canção – era a nossa favorita – mas, eu gosto de mergulhar no mar de recordações que ela me trás, e poder re(vi)ver nossas danças na sala ou na cozinha, da bagunça desmedida que fazíamos pela casa e da pouca (ou nenhuma) atenção que dávamos à ela, apenas deitávamos no chão e ríamos como se não houvesse nada melhor no universo. Olhos no teto, mãos sobre mãos, felicidade infinda.

Mas, veio a tempestade e tudo mudou…

O rumo do barco, meu riso contente, sua voz se calou… E já não tinha nada em que eu pudesse me agarrar – nem um pouco de esperança –, o amor que eu carregava já não tinha dono, e as minhas danças já não tinha par.

De tudo o que tínhamos, só restou o meu velho vestido carmim molhado e, ao ver pedaços do barco que as ondas violentas de Netuno traziam, a angústia em saber onde você estaria. Só mais tarde viria a ter a certeza de que aqui você já não mais estava – seu corpo descera para a escuridão dos abismos do mar e sua’lma repousava ao lado do Criador em algum lugar do Paraíso.

Tenho a impressão de que aquele amor que você me tinha juntou-se ao que eu tenho por você e, mesmo que meu coração esteja pela metade, ele chega a explodir. Eu já tentei te tirar de mim, tirar nossas canções minha cabeça, as nossas lembranças de meu coração e, também, esse amor amaldiçoado que me impede de seguir a vida ao lado de outrem, mas não consegui me desvencilhar.

Me lembro, meu amor, que eu quase parti com você para os campos celestiais, as ondas me empurravam para algum lugar obscuro, mas algo me jogou pra longe, longe de tudo que um dia eu tive e me fez sobreviver com meu vestido carmim e um vazio no peito.

Tenho a impressão que aquela tempestade, hoje, faz parte de mim, pois já não tenho mais dias de verão, e até mesmo quando a nossa canção toca, o meu coração continua nublado e meus olhos transformam-se num reflexo vivo do que aconteceu naquele fim de tarde de abril.